Hoje não haverá blues
já
não quero as pompas de um néon andaluz derrubando sombras nas janelas.
o dia está claro e a ressaca pede que as cortinas fiquem fechadas. não
há som aqui. as tevês e os helicópteros estão desligados. a metrópole
está deserta. às vezes a mudez ensurdece. mas há manhãs em que a noite
invade, como se um sol omisso estivesse no banheiro chorando rancores.
disputar o trono com a lua é foda. acho que hoje não haverá blues. tudo
está imóvel. você ainda está aí? vá. saia daqui. a festa acabou. é
preciso um silêncio antes do fim.
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